Celebração de Cinzas | 18 fev
- 11 de mar.
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Este ano, tal como em todos os anos, marcamos a entrada no Tempo da Quaresma com a celebração da Quarta-Feira de Cinzas. Este momento convida-nos a parar, a refletir e a reconhecer a nossa fragilidade humana, lembrando-nos de que somos pó e ao pó havemos de voltar. Mais do que um gesto simbólico, esta celebração chama-nos a uma caminhada interior de conversão, preparando o coração para viver de forma mais consciente e próxima de Deus.
Na homilia, foi-nos recordado que o homem, ao tentar ocupar o lugar de Deus, acaba por se esquecer da sua própria condição. Ao procurar uma plenitude ilusória, prende-se aos seus vícios e torna-se escravo daquilo que pensa controlar. Só quando entregamos verdadeiramente o coração a Deus é que encontramos a plenitude autêntica. Somos chamados a deixar que Deus seja Deus, reconhecendo que apenas n’Ele encontramos sentido e liberdade. Para tal fim, foram-nos apresentadas três ferramentas, todas relacionadas entre si e que nos permitem ser mais próximos do Senhor.
A primeira ferramenta apresentada foi a escuta. Um coração que vive fechado em si próprio torna-se dominador, inquieto e preso às coisas mundanas. Todos desejamos, e isso é natural, mas também somos capazes de procurar e acolher Deus. Muitas vezes pensamos que uma vida boa é uma vida sem sofrimento, esquecendo que são os nossos vícios que mais nos aprisionam. A verdadeira conversão nasce quando entregamos o coração a Deus, permitindo-Lhe guiar os nossos desejos e transformar o sentido da nossa vida.
A segunda ferramenta é o jejum. Este só é verdadeiro quando nos leva a dar mais ao outro, a partilhar e a criar comunhão. Jejuar não é apenas abdicar, mas aprender a viver o vazio e a solidão para melhor acolher o próximo. A solidão custa, mas ensina-nos a reconhecer o quanto somos amados. No silêncio e na simplicidade, descobrimos que precisamos menos das coisas e mais das pessoas.
A terceira ferramenta é a esmola. Dar ao outro é sinal de um coração em paz, que reconhece que tudo lhe foi oferecido por Deus. Quem sabe partilhar aprende a viver com gratidão e confiança. A esmola é a expressão concreta de um coração agradecido, que transforma em gestos aquilo que recebeu. A vida de Jesus é o maior exemplo desta entrega total, feita por amor.
Com estas três ferramentas, somos convidados a viver a Quaresma como um tempo de verdadeira transformação. Que este caminho nos ajude a regressar ao essencial, a confiar mais em Deus e a preparar o nosso coração para a alegria da Páscoa, vivendo cada dia com mais fé, humildade e amor
Francisco Amaro


