OUTRAS LEITURAS | 3º Domingo da Quaresma
- 17 de mar. de 2020
- 2 min de leitura
Atualizado: 14 de ago. de 2025
NÃO CONHEÇO OUTROS PELA MINHA SEDE
Renuncias a Satanás, que é o autor do mal e pai da mentira?
No deserto encontro caminhos que seguem ao meu lado, mas não deixam que continue a beber a sede da areia que sou. Não quero outro caminho. Apenas o da sede. Todos os outros são fantasmas que, espectros da realidade, não me deixam com mais sede de mim. Não é beber em todas as fontes que me sacia, nem beber da necessidade de mim. Apenas naquela que me posiciona dentro de mim. Aí posso beber sem imagens nem aparências. E é bem real esta sede. Tenho sede de mim, da vida. Nas fantasias escavo por fora, deixando-me derramado pelos espaços perdidos. Num deserto sem fim.
Tenho sede e essa é bem real. Aqui não há espaços para imaginar o que não seja autêntico. Aqui não se jogo comigo mesmo, porque, o que é meu, é esta sede, que me faz criar raízes bem fundas para beber. Renuncio a estar saciado e a tudo o que dizem matar a sede. O que mais desejo é que ela viva e esteja sempre pronta a escavar, para que nunca pense que é em mim ou em qualquer outra coisa que fico saciado. O que sacia brota do silêncio de mim: quando amo sem procurar amar; quando dou sem procurar possuir; quando vivo sem procurar viver.
Oração
Ali, junto àquele poço, Convidaste, Senhor, a minha alma ferida Com as águas eternas, que, provadas, Incendeiam mais a sede de água viva. Ela, a pecadora, Do mal das tuas ausências padecia, E num instante descobriu o profundo, Os claros mananciais da felicidade Nova samaritana, Minha alma se faz, Senhor, encontra-a Nos teus caminhos interiores. Ouve, não passes tão depressa! Eis aqui o poço, o coração, a água, Repousa a tua fadiga!. Félix García
Domingo “Ora a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. De facto, quando ainda éramos fracos é que Cristo morreu pelos ímpios.” (Rm 5,5)
Segunda-feira Ter sede é sinal de que a vida ainda deseja ser mais vida.
Terça-feira Não há maior tristeza do que os esquecermos de beber um pouco mais o desejo de viver.
Quarta-feira O cansaço de viver diz-nos que ainda não bebemos na sede da vida.
Quinta-feira Jejuo de tudo, para que em tudo beba do que me pode dar a Vida.
Sexta-feira Sem sede expiro. Dá-me, Senhor, toda a sede de ti, para que em ti viva sempre.
Sábado É em Ti, Senhor, que vivo. É em Ti que bebo a vida. É por Ti que tudo na vida pode ser bebido.
Outras leituras
Filme Into the Wild – Sean Penn Música Não Vás Embora Hoje – Pedro Abrunhosa Tenho Sede – Gilberto Gil Comfortably Numb – Pink Floyd Kyrie in D minor – Mozart (John Eliot Gardiner)


