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Quarto domingo | QUARESMA & PÁSCOA 2021

  • 13 de mar. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 12 de ago. de 2025

O SILÊNCIOLUMINOSO

Fazei de mim uma palavra que ninguém ouça. Uma palavra que fique por dizer. Um silêncio que amanheça todos os dias nos lábios e se deite ao entardecer sobre o leito do mundo. Uma palavra entregue por Deus. A esperança não é ridícula. É o ventre do silêncio e caminha todos os dias na humildade. Caminha em passos pequenos. Faz rua. Passos ínfimos e a rua nítida. Os passos deixam de se ver e a rua fica pronta. Já nenhuma palavra a dizer e a esperança faz o caminho. Jesus é o único caminho. Faz rua. No silêncio a Palavra faz o seu caminho. A esperança diz mais um passo e diz o silêncio luminoso. Podes calar, mas Jesus fala no caminho que trilhas.

DOMINGO Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. (Jo 3,16-17)

SEGUNDA-FEIRA Nenhuma palavra precisa ser dita quando basta um gesto. O amor é suficiente e tudo diz a quem espera.

TERÇA-FEIRA Uma palavra ilumina e um novo silêncio surge. Um silêncio a suplicar por uma Palavra. A luz faz da palavra o seu caminho. O caminho só se faz na Palavra.

QUARTA-FEIRAQuando o silêncio fala, todas as palavras se calam. Quando todas as palavras deixam de dizer o que têm para dizer, falam as obras. Quando as obras são escondidas, ilumina-se a rua.

QUINTA-FEIRAA palavra que nos habita é um caminho. A única coisa que desfaz o caminho é o lamento do absurdo.

SEXTA-FEIRAFicamos sem caminho quando fechamos as palavras e não deixamos que abram as casas onde habitam os segredos que também nos habitam. O maior segredo: há palavras que custam a carregar.

SÁBADOSem palavras diante do absurdo é como uma terra que ninguém habita e onde ninguém nasceu. A palavra é uma pátria. A imaginação é terra que ninguém habita e onde muitos moram.

ORAÇÃODá-nos, Senhor, a Tua luz, Para olhar a vida Com olhos de Evangelho. Ajuda-nos a confiar em Ti, Com todo o nosso coração, Para aprender a deixar Nas Tuas mãos, Toda a nossa existência

POEMAVivemos convivemos resistimos cruzámo-nos nas ruas sob as árvores fizemos porventura algum ruído traçámos pelo ar tímidos gestos e no entanto por que palavras dizer que nosso era um coração solitário silencioso silencioso profundamente silencioso e afinal o nosso olhar olhava como os olhos que olham nas florestas No centro da cidade tumultuosa no ângulo visível das múltiplas arestas a flor da solidão crescia dia a dia mais viçosa Nós tínhamos um nome para isto mas o tempo dos homens impiedoso matou-nos quem morria até aqui E neste coração ambicioso sozinho como um homem morre cristo Que nome dar agora ao vazio que mana irresistível como um rio? Ele nasce engrossa e vai desaguar e entre tantos gestos é um mar Vivemos convivemos resistimos sem bem saber que em tudo um pouco nós morremos Ruy Belo

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