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Quinta-feira Santa | Celebração da Ceia do Senhor | 2 abr

  • 8 de mai.
  • 2 min de leitura

No dia de Quinta-feira Santa, a nossa comunidade reuniu-se para celebrar a Missa Vespertina da Ceia do Senhor, dando início ao Tríduo Pascal. Numa noite marcada por um silêncio diferente, não de ausência, mas de presença, fomos convidados a sair de nós mesmos e a sentar-nos à mesma mesa, reconhecendo que é no encontro com Cristo que a nossa vida encontra verdadeiro sentido. Como nos recorda o guião da celebração, não é apenas a noite que cai, mas é sobretudo a manifestação de um amor que se dá e que nos reúne como peregrinos à mesa do Senhor .

A celebração iniciou-se num ambiente de recolhimento e interioridade, onde cada gesto e cada palavra nos introduziram no mistério desta noite santa. O Glória, acompanhado pelo toque festivo dos sinos, marcou de forma solene este momento único, abrindo o coração da assembleia para aquilo que estava para ser vivido. Desde o início, fomos conduzidos a compreender que esta não é uma celebração como as outras, mas a memória viva de um amor levado até ao extremo.

Na Liturgia da Palavra, escutámos o testemunho de um Deus que Se faz próximo e que convida à comunhão. A homilia ajudou-nos a aprofundar o sentido da Ceia do Senhor, recordando que Jesus não apenas partilhou o pão, mas fez de toda a Sua vida um dom oferecido. Como é referido no documento da Ceia do Senhor, a mesa preparada por Cristo é lugar para todos, especialmente para aqueles que tantas vezes não encontram lugar na vida. É uma mesa onde se aprende a ver para além do visível e a reconhecer, no pão partido, a presença d’Aquele que continua a dar-Se por amor .

Um dos momentos mais marcantes da celebração foi o rito do lava-pés. Neste gesto simples e profundamente simbólico, fomos convidados a contemplar o próprio Cristo que Se faz servo. Ao lavar os pés aos discípulos, Jesus revela-nos o caminho do amor verdadeiro: servir, doar-se, colocar-se ao lado do outro. Este gesto recorda-nos que a vida cristã não se vive na lógica do poder, mas na humildade de quem se entrega, fazendo da própria vida um dom para os irmãos.

Seguiu-se a Liturgia Eucarística, centro e cume de toda a celebração. Ao comungarmos do mesmo pão e do mesmo cálice, fomos chamados a reconhecer-nos como um só corpo em Cristo. A Eucaristia torna presente aquele amor que nunca se esgota, um amor que se reparte e se multiplica, convidando cada um a fazer da sua vida uma mesa aberta, onde outros possam encontrar lugar, acolhimento e esperança.

A celebração não terminou da forma habitual. Num ambiente de profunda reverência, realizou-se a procissão com o Santíssimo Sacramento, levando-nos a acompanhar Jesus até ao silêncio do Getsémani. Este momento prolongou a celebração numa atitude de vigilância e oração, recordando-nos o apelo de Cristo aos discípulos: permanecer com Ele, mesmo na hora da prova.

Assim, a noite de Quinta-feira Santa deixou-nos um convite claro: viver o amor que recebemos, transformando-o em serviço concreto aos irmãos. À imagem de Cristo, somos chamados a fazer da nossa vida um dom, construindo uma comunidade onde todos tenham lugar à mesa. Que esta celebração nos ajude a permanecer unidos a Ele, alimentados pela Eucaristia e fortalecidos no compromisso de amar como Ele nos amou.


Francisco Amaro

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